
Vivemos numa cultura que nos faz auto-impor a originalidade, a singularidade, ao mesmo tempo que nos aconselha prudência no que concerne à intimidade. A sociedade que nos rodeia rotula as pessoas, cataloga-as sem nada querer saber delas, sem querer saber quem são de verdade. Por isso estive reticente e tentei o melhor que pude resistir à exposição. No entanto, hoje, nem sei bem porquê (ou sei?), apeteceu-me levantar a ponta do véu, para que quem me olha, do lado de lá, possa saber mais sobre o que é o lado de cá. Vou soltar amarras e partir à deriva, esperando que os ventos me levem a bom porto e, quem sabe, se gostar da experiência talvez continue por aí. Se as pegadas que deixo são de quem parte ou de quem chega cabe-vos a vós decidir….por mim, espero que sejam um sopro, um susurro de mim.
(Obrigada à Ana, pelo carinho e pela insistência, porque sem ela nada disto teria acontecido)